|
|
 Resumo da Apresentação/Curriculum dos Convidados. Clique no ícone para visualizar o texto.
| Convidado |
País |
Tema |
Anu Klippi
Fonoaudióloga |
Finlândia |
Perspectivas atuais na reabilitação das afasias |
Anu Klippi
Fonoaudióloga
Anu Klippi, PhD é professora de fonoaudiologia (associada de 1994 a 1999 e professora plena desde 1999), na University of Helsinki, Finlândia, onde também é chefe do Department of Speech Sciences, desde 2001 e vice-reitora da Faculty of Behavioural Sciences, desde 2004, além de ser a vice-presidente da
Finnish Association of Speech and Language Research, desde 1995.
|
Perspectivas Atuais na Reabilitação das Afasias e a CIF
Resumo
Afasia é um evento que modifica a vida. Os efeitos das modificações na comunicação causadas pela afasia podem ser descritos utilizando-se a Classificação Internacional de Funcionalidades, Incapacidades e Saúde - CIF (WHO, 2001). É de conhecimento comum que os sintomas da afasia modificam-se ao longo do tempo, surgindo a necessidade da aplicação de abordagens terapêuticas diferentes, nas diversas fases da afasia. Na literatura, há inúmeras definições e descrições de intervenções terapêuticas na afasia. Tradicionalmente, as várias linhas terapêuticas podem ser divididas em duas principais abordagens, cuja escolha depende da capacidade de linguagem que se acredita ter restado após o dano cerebral. Uma das abordagens é a de reaprendizado, na qual o objetivo é reaprender as habilidades lingüísticas perdidas. A outra, é a compensatória, que tem por objetivo proporcionar ao paciente afásico outras alternativas de comunicação. Além disso, durante a última década, os fonoaudiólogos têm sido muito influenciados pelo modelo social de incapacidade, adequando o papel social da linguagem ao contexto. Principalmente problemas severos de comunicação podem ter conseqüências negativas, com impacto no bem-estar e na qualidade de vida destes pacientes. A compreensão deste fato fez com que as abordagens terapêuticas desenvolvessem maiores ganhos na vida social dos afásicos. Várias abordagens terapêuticas serão descritas e discutidas na perspectiva da Classificação Internacional de Funcionalidades, Incapacidades e Saúde - CIF.
|
Dolores Battle Fonoaudióloga |
EUA |
Comunicação e violência nas sociedades modernas |
 Dolores Battle Fonoaudióloga
Dolores Battle é fonoaudióloga, PhD em Ciências da Comunicação e seus Distúrbios pela State University of New York, em Buffalo, Estados Unidos. É professora no Buffalo State College, onde leciona há 36 anos. É também consultora sênior do reitor para Igualdade na Diversidade Universitária. É ex-presidente da American Speech-Language and Hearing Association - ASHA e atual presidente da International Association of Logopedics and Phoniatrics - IALP. Publicou extensivamente em distúrbios da comunicação humana nas diferentes culturas, populações e em estudantes universitários com necessidades especiais. Fez mais de 100 apresentações nacionais e internacionais.
|
 Comunicação e violência nas sociedades modernas Resumo
Existem poucos estudos na literatura que relacionam distúrbios da comunicação e delinqüência, violência e confinamento. A literatura disponível mostra que existe um alto número de distúrbios de fala, linguagem, audição e principalmente de aprendizado nas detenções juvenis e população carcerária. Estudos mostram que aproximadamente 80% dos presos americanos são funcionalmente analfabetos e 30% apresentam perda auditiva. A hipótese da grande ocorrência de pessoas com distúrbios da comunicação em reformatórios está relacionada a uma pobre habilidade de comunicação, incluindo problemas de comunicação social, não apenas como causa, mas também como a conseqüência de um comportamento social inapropriado. Tal ocorrência pode estar relacionada aos poucos recursos de linguagem que o indivíduo possui, frustração, problemas acadêmicos e inabilidade social que levam ao abandono escolar, delinqüência juvenil e eventuais comportamentos criminosos. É difícil estabelecer uma relação entre distúrbios da comunicação e outras variáveis, em função do envolvimento direto de outros fatores como QI e privação cultural e/ou questões econômicas. Devido à falta de consciência da extensão do problema, poucos presos ou adolescentes em reformatórios recebem apoio apropriado para o diagnóstico e intervenção na fala, linguagem e audição. Esta apresentação revisa a literatura disponível e mostra a necessidade de um maior número de pesquisas para compreender o impacto dos distúrbios da comunicação na violência, no comportamento delinqüente e nas prisões. Algumas hipóteses serão apresentadas, assim como possíveis estratégias para a prevenção da violência através do aprimoramento das habilidades de comunicação.
|
Harm K. Schutte Médico |
Países Baixos |
Laringologia qualitativa e quantitativa |

Harm K. Schutte Médico
Prof. Dr. Harm K. Schutte, MD, PhD. é otorrinolaringologista e foniatra na tradição européia. Trabalhou 25 anos como clínico especialista em voz e fala e, depois deste período, devotou 15 anos exclusivamente como pesquisador da fisiologia e fisiopatologia da voz, incluindo a reabilitação das laringectomias. Atualmente, seus principais interesses estão na fisiologia da voz cantada, no desenvolvimento do programa VoceVista (com o EGG) e na melhoria da videoquimografia com o aprimoramento de uma nova câmera, trabalhando no Groningem Voice Research Laboratory, do Department of Biomedical Engeneering, da University Medial Center, University of Groningen, dos Países Baixos. É ex-presidente da IALP.
|

Laringologia Qualitativa e Quantitativa
Abstract
Laringologia é a ciência e o conhecimento da laringe, sendo o órgão vocal um importante ramo da Ciência Médica. Porém, com o passar do tempo, a atenção voltou-se para a Ciência Técnica relacionada à laringe, o que ocorreu há menos de 50 anos, quando Van Den Berg, em Groningem, formulou a Teoria Mioleástico-Aerodinâmica da produção da voz. Ao longo dos anos começamos a perceber que esta teoria provavelmente não estava completa. O fato dos médicos utilizarem tanto os termos “cordas” como pregas vocais demonstra que mesmo estes profissionais ainda não percebem a diferença entre cordas e pregas, embora a prega vocal funcione apenas marginalmente como a corda de um violino. O funcionamento da laringe é mais complexo e há necessidade de pesquisas para realmente se conhecer a fisiologia e a fisiopatologia do processo de vibração das pregas vocais. Muito do nosso conhecimento sobre a voz origina-se de abordagens técnicas. A Medicina e a Fonoaudiologia avaliam a voz em relação à pessoa que a usa e apenas parcialmente reconhecem a importância dos aspectos técnicos envolvidos. A voz definitivamente precisa de uma abordagem holística, na qual várias perspectivas devem ser consideradas. Medidas quantitativas são apenas parte deste todo. A laringologia qualitativa descreve características vocais e laríngeas em termos qualitativos, independente das medidas quantitativas. Esta é uma avaliação legítima, mas tem suas desvantagens. Como definimos termos “qualitativos”? Se o fizermos em relação à normalidade, então a pergunta persiste, o que é normal? Parece que descrições quantitativas de definições qualitativas também são muito difíceis pela ausência de regras, já que não existe o que chamamos de normalidade. A “normalidade” vocal é muito ampla e há uma larga sobreposição com o que é considerado “anormal”. Seria anormal sinônimo de patológico, se utilizarmos medidas quantitativas? Mesmo nas situações em que consideramos uma voz ou a anatomia laríngea qualitativamente normal, há uma enorme distribuição de valores em todas as características de avaliação instrumental: velocidade de fluxo aéreo, tempo máximo de fonação, pressão subglótica, LTAS, jitter, shimmer, capacidade vital e perfil de extensão vocal. Além disso, as medidas instrumentais são geralmente inter-relacionadas, porém só podem ser obtidas de modo isolado. A própria laringologia qualitativa é difícil de ser definida. O que significa? Pode indicar a descrição das qualidades vocais, mas que tipo de qualidades? Uma qualidade pode ser o nível de pressão sonora, medido em uma distância pré-definida da boca ao microfone, em sala com características acústicas conhecidas e filtragem adequada nos equipamentos de mensuração. Qual tipo do microfone é necessário usar? Nesses casos, tenta-se novamente substituir a abordagem qualitativa pela quantitativa. Um parâmetro quantitativo pode ser o grau de “soprosidade”, mas como é definido? Seria esta uma avaliação perceptiva usual, aceitável e confiável? Em alguns casos, usualmente nós reduzimos a variedade dos termos ao mínimo, de acordo com a estatística, e ficamos felizes com os resultados! Muitos pesquisadores, com formação acadêmica em fonética, desenvolveram procedimentos para avaliar unidades fonéticas, com o uso de sistemas inteligentes para caracterizar as “características do som da voz”, mas ainda assim é uma definição circular: “a característica da qualidade vocal é alguma coisa que caracteriza um certo aspecto da voz”. Parece difícil sair deste círculo vicioso. O que devemos definir e dar nomes? Por exemplo, seria a soprosidade caracterizada por uma elevada velocidade de fluxo de ar? Não, nem sempre esse é o caso! Seria a “hiperfunção” caracterizada por uma elevada pressão subglótica? Não, nem sempre esse é o caso! Chamamos “hipofunção” quando ouvimos soprosidade (e também quando não a ouvimos). Porém, quando medimos fluxo aéreo, pressão subglótica, avaliação espectral e etc., não fica claro o que pode representar a soprosidade. Diversas tentativas de sessões de treinamento para análise perceptivo-auditiva têm sido realizadas para ensinar os sistemas de Laver, Pahn, ou a escala GRBAS(I). Essa não é uma tarefa fácil. Uma solução parcial que tem sido advogada por muitos colegas é a de encontrar dados “objetivos” para determinadas condições. Freqüentemente, a noção de “objetivo” está correlacionada com uma idéia inconsciente de que “objetivo” é melhor do que “subjetivo”. Porém, dados “objetivos” usualmente são baseados em medidas instrumentais, as quais são subjetivamente interpretadas e, portanto, tais dados devem ser também considerados subjetivos.
|
Helen Grech
Fonoaudióloga |
Ilhas Maltesas |
Distúrbios do Desenvolvimento da Fala |

Helen Grech
Fonoaudióloga
Helen Grech é a chefe da Communication Therapy Division na University of Malta e é conferencista convidada de várias instituições, dentro e fora da Europa. Audiologista educacional e especialista em fonoaudiologia. É licenciada pela Comissão Européia (European Commission - EC) como avaliadora de propostas de pesquisas, sendo a coordenadora de um grande projeto de pesquisa da EC sobre distúrbios da comunicação. Participa do comitê administrativo da EU COST Action A33 como representante de Malta. Tem várias publicações nacionais e internacionais em revistas científicas e livros. É secretária da diretoria da IALP e membro de várias sociedades locais, internacionais e britânicas.
|

Distúrbios do Desenvolvimento da Fala
Abstract
A prevalência dos distúrbios da fala em crianças pré-escolares tem sido estimada entre 3 e 10%. No entanto, acredita-se que seja a maior demanda na clínica fonoaudiológica. Dados de pesquisas sobre a aquisição da fala e seus distúrbios ainda estão sendo coletados, especialmente em relação aos seus subtipos e condutas de tratamento. A apresentação proporcionará uma visão geral do modelo atual do processamento da fala e sua aplicação na avaliação e no diagnóstico diferencial desses distúrbios em crianças. As características dos subtipos dos distúrbios da fala, com o modelo apresentado e as possíveis hipóteses dos déficits das crianças serão discutidos, assim como estratégias de intervenção e estudos da eficácia de tratamento.
|
Herman Peters
Fonoaudiólogo |
Países Baixos |
Avanços recentes nas disfluências |

Herman Peters
Fonoaudiólogo
Dr. Herman Peters é professor adjunto de fonoaudiologia na University of Nijmegen, Países Baixos. Principais áreas de interesse: controle motor da fala normal e alterações da fala, desenvolvimento das alterações da fala/linguagem e alterações da fluência. Autor de vários artigos sobre os aspectos da produção motora da fala na gagueira e editor de vários livros sobre o controle motor da fala e gagueira. Membro fundador e ex-presidente da International Fluency Association. Membro da diretoria da IALP e chefe do Comitê de Fluência da IALP. Editor chefe do Dutch Journal of Voice, Speech and Language Pathology, e do Dutch Handbook of Voice, Speech an Language Pathology. Presidente da Dutch Association of Voice, Speech and Language Pathology. Recebeu um prêmio em 1995: Distinguished Service Award of the American Speech-Language-Hearing Association.
|

Avanços recentes nas disfluências – gagueira sob uma perspectiva motora da fala: da pesquisa para a aplicação clínica
Abstract
As primeiras teorias da gagueira serão descritas em uma análise histórica. Em seguida, discutiremos as pesquisas dos últimos 25 anos sobre sob a perspectiva da produção de fala. Neste modelo, acredita-se que existam três principais fases no processo de produção da fala: 1ª fase - o nível conceitual, no qual os conceitos a serem expressos são especificados e transformados em mensagens pré-verbais; 2ª fase - o nível de formulação, no qual as mensagens pré-verbais são transformadas em formas verbais ou lingüísticas (conversões gramaticais); e, finalmente, a 3ª fase - nível de processo de articulação, durante o qual o plano motor é recuperado na memória, os comandos musculares são preparados e executados, resultando na fala. A abordagem motora multifatorial da gagueira será discutida, assim como a hipótese de que fatores cognitivos, lingüísticos e emocionais estão relacionados à instabilidade ou quebra motora da fala, mas sem causar a gagueira em si. A essência da gagueira parece ser uma alteração no controle motor da fala. Finalmente, questões clínicas serão discutidas relacionando o comportamento motor da fala na gagueira, abrangendo o uso da terminologia fluente versus disfluente, assim como questões relacionadas à avaliação e tendências na terapia.
|
Irma Verdonck-De Leeuw Fonoaudióloga |
Países Baixos |
Qualidade de vida em câncer de cabeça e pescoço, deglutição, aspectos emocionais e estresse |

Irma Verdonck-De Leeuw Fonoaudióloga
Irma Verdonck-De Leeuw, PhD, é foneticista, fonoaudióloga e psicóloga. Professora associada do Otolaryngology/Heand and Neck Surgery Department da VU University Medical Center, em Amsterdam, nos Países Baixos. Sua área de pesquisa é focada na saúde relacionada à qualidade de vida, problemas de fala e deglutição e aspectos psicossociais de pacientes com câncer de cabeça e pescoço e seus familiares. Os projetos de pesquisa incluem estudos na melhoria da avaliação dos resultados e da eficácia da intervenção fonoaudiológica. É membro da diretoria da IALP e da Dutch Society of Voice, Speech, and Language Pathology, sendo também membro do Committee “Screening” da Dutch Psychosocial Oncology Society.
|

Qualidade de vida em câncer de cabeça e pescoço, deglutição, aspectos emocionais e estresse
Abstract
Aproximadamente 500.000 pacientes recebem a cada ano o diagnóstico de câncer de cabeça e pescoço em todo o mundo. Desta forma, os resultados de sobrevida, controle da doença e suas complicações, saúde relacionada à qualidade de vida e medidas do estado funcional da saúde têm crescido e possibilitado a padronização de parâmetros de resultados em estudos clínicos. Pesquisas têm demonstrado que o câncer de cabeça e pescoço e o seu tratamento têm impacto distinto na vida diária. Além das queixas gerais dos pacientes com câncer, como dor e fadiga, pacientes com câncer de cabeça e pescoço muitas vezes apresentam alterações, de voz, fala, deglutição e estéticas, além de exclusão social e dificuldades emocionais. Nos últimos anos houve uma evolução nos tratamentos médicos, cirúrgicos e técnicos disponíveis para otimizar a saúde relacionada à qualidade de vida dos pacientes. Entretanto, apesar dos avanços, muitos pacientes com câncer de cabeça e pescoço ainda apresentam seqüelas na voz, fala e deglutição que requerem tratamento continuado. Por esta razão, medidas funcionais de tais aspectos, pré e pós-tratamento, são necessárias para complementar a documentação do paciente. É essencial compilar os métodos de avaliação de resultados, quer sejam específicos ou genéricos, para reunir o conhecimento prático sobre tais medidas de resultados. O objetivo desta conferência é oferecer uma revisão dos principais tipos de medidas de resultados e instrumentos utilizados na avaliação da saúde, relacionada à qualidade de vida e resultados funcionais de voz, fala e deglutição.
|
Jan Svec
Cientista vocal |
República Checa e Países Baixos |
Pictogramas laríngeos e seu uso sistemático na avaliação da função vocal normal e alterada |

Jan Svec
Cientista vocal
Jan G. Svec, PhD, é físico tcheco e cientista vocal. Em 1994, desenhou o método da videoquimografia para avaliação da vibração das pregas vocais por meio de imagens ultra-rápidas. Atualmente é pesquisador do Groningem Voice Research Laboratory, do Department of Biomedical Engeneering, da University Medial Center, University of Groningen, dos países Baixos. É também o presidente do Comitê de Voz da IALP.
|

Pictogramas laríngeos e seu uso sistemático na avaliação da função vocal normal e alterada Abstract
Embora as imagens da videoquimografia de alta velocidade tenham sido aceitas como um método conveniente de apresentação da função fonatória das pregas vocais, não existe um protocolo sistemático para a avaliação destas imagens na prática clínica. O objetivo desta apresentação é demonstrar um protocolo de avaliação perceptivo-visual da videoquimografia, semelhante ao da estroboscopia laríngea. Gravações videoquimográficas de mais de 100 indivíduos (extraídas de mais de 7000 exames de pacientes sem alterações de voz e de pacientes com diferentes distúrbios vocais) foram revisadas e as características vibratórias, categorizadas, criando-se um formulário de avaliação. O protocolo inclui a análise das seguintes características: 1) presença de vibração das pregas vocais, 2) comportamento das áreas circunvizinhas, 3) variabilidade ciclo-a-ciclo, 4) duração do fechamento glótico, 5) assimetria esquerda-direita, 6) inclinação da forma da onda, 7) forma dos picos laterais, 8) excursão lateral das ondas de mucosa, 9) forma dos picos medianos, e 10) aberrações cíclicas. Pelo fato das descrições verbais terem sido consideradas insuficientes, desenhos simplificados, chamados pictogramas, foram usados para facilitar a avaliação das diferentes categorias do protocolo. As características de avaliação oferecem informações sobre o funcionamento das pregas vocais, complementares aos dados de morfologia laríngea obtidos por meio da laringoscopia e laringoestroboscopia. Dr. Svec gostaria de reconhecer os seguintes colegas como co-autores desta apresentação: Marek Fric, Frantisek Sram, Hana Svecova e Harm K. Schütte.
|
Katrin Neumann
Médica
|
Alemanha |
Aparelhos auditivos e implantes cocleares |
Triagem auditiva neonatal universal |
 Katrin Neumann Médica
Katrin Neumann fez medicina na University of Leipzig, Alemanha e especializou-se em otorrinolaringologia, foniatria e audiologia pediátrica. É diretora do Departamento de Audiologia Pediátrica na University of Frankfurt/Main, na Alemanha e professora associada do Departamento de Foniatria da University of Utrecht, nos Países Baixos, onde é docente do programa de mestrado em ciências fonoaudiológicas. Publica extensivamente sobre efetividade e eficiência dos programas de triagem neonatal universal na Alemanha e também sobre outros temas da área da comunicação humana, como sobre a relação entre plasticicidade cortical e terapia para disfluência.
|
 Triagem Auditiva Neonatal Universal – Programas de Detecção e Intervenção Auditiva Precoce (EHDI) na Europa Resumo
Um número crescente de países europeus estabeleceu o sistema de detecção e intervenção auditiva precoce (EHDI) em crianças com distúrbios da audição. Cada vez mais, as iniciativas de triagem auditiva, quer sejam esporádicas, regionais ou focalizadas, envolvem toda uma nação para os programas de triagem universal. Tais programas exigem logística eficiente, coleta de dados centralizada, recursos pessoais apropriados e ajuda financeira da sociedade. O programa EHDI cobre mais de 90% da Áustria, Bélgica (parte flamenga), Dinamarca, Croácia, Inglaterra, Luxemburgo, Países Baixos e Polônia. Uma implementação parcial tem sido feita na Alemanha (~7/16 estados), Itália (~7/20 estados), Lituânia (~50%), Malta (70%), Espanha (35%), Suécia, Suíça (~70%) e País de Gales. Já a parte francesa da Bélgica, Chipre, França e Irlanda estão em fase mais avançada, enquanto a República Tcheca, Estônia, Finlândia, Grécia, Hungria, Letônia, Noruega, Portugal, Romênia, Escócia, Eslováquia, Eslovênia e Turquia encontram-se ainda em fase de projeto piloto. Esforços legislativos na Alemanha procuram implantar a triagem universal como procedimento regular oferecido a todos os recém-nascidos. O Joint Committee “Fruehkindliches Hoeren”, que representa todas as profissões envolvidas na triagem auditiva do neonato, publicou recentemente um artigo descrevendo as melhores práticas utilizadas em centros mais avançados e que serão introduzidas em outras realidades para a triagem universal na Alemanha. Considerando-se especificamente este país, os 16 estados federais são responsáveis por suas próprias triagens regionais, sendo que em 7 estados o programa de triagem já existe de forma eficiente. Em 1997 o programa de triagem detectou 5% de bebês com perda auditiva, que foram registrados no German Registry of Childhood Hearing Loss, contudo, tal porcentagem subiu para 33% em 2004. A idade do primeiro diagnóstico diminuiu de 31 meses, em 1998, para 24 meses, em 2004, o que é considerado um bom progresso.
|
 Aparelhos Auditivos e Implantes Cocleares Resumo
Nas últimas duas décadas foram grandes os avanços alcançados tanto no desenvolvimento técnico de aparelhos de amplificação sonora individual (AASI) como nos implantes cocleares multicanais (IC), que têm progredido como forma de terapia aceitável em perdas auditivas severas a profundas de crianças e adultos. A combinação da estimulação elétrica e acústica via IC e AASI têm oferecido benefícios adicionais no reconhecimento da fala, no silêncio ou ruído e na qualidade do som. O benefício pode ocorrer em 3 situações principais de estimulação bimodal: (1) IC e AASI contralateral, explorando a audição residual contralateral; (2) estimulação acústica e elétrica ipsilaterais, estimulando a audição ipsilateral residual; ou (3) ambos. Esta apresentação resume os benefícios da amplificação acústica pelo AASI no reconhecimento da fala, seja ela apresentada em ambiente silencioso ou com ruído de fundo, dependendo do tipo e grau da perda auditiva. Será ainda destacado o desafio na detecção e tratamento precoces de crianças com perda auditiva, assim como a situação atual e a evolução dos AASI e IC, incluindo aspectos de tecnologia, design, seleção de candidatos, resultados obtidos e direções futuras. Tais variáveis serão analisadas em relação aos impactos produzidos, no presente e no futuro, considerando-se os resultados clínicos na população adulta e pediátrica. A associação típica entre perda auditiva neurossensorial, de grau severo a profundo, à baixa resolução de freqüência prejudica especificamente a compreensão da fala em situações de ruído. Embora a resolução das freqüências dos ICs continue baixa, as estratégias de preservação da audição nas freqüências graves residuais nos indivíduos implantados, combinadas com a estimulação elétrico-acústica é uma opção atraente para pacientes com perda severa na região dos agudos.
|
Kenneth Watkin Fonoaudiólogo |
Canadá e EUA |
O uso da imagem no diagnóstico e tratamento das disfagias |

Kenneth Watkin Fonoaudiólogo
Dr Watkin é professor do College of Applied Health Sciences e do College of Medicine da Universidade de Illinois, EUA. Afiliado ao grupo de tecnologia e ciência em bio-imagem, parte integrante do Beckman Institute for Advanced Science and Technology. É também pesquisador do National Center for Supercomputing Applications in the Imaging Understanding Group e diretor do Medical Imaging Research Laboratory e do Targeted Imaging Laboratory. Coordena pesquisas em imagem multimodal e agentes contrastantes para exames médicos de imagem. Desenvolveu um equipamento e um programa computadorizado análise de imagens, especialmente para o estudo do comportamento motor orofaríngeo. É membro do Comitê de Disfagia da IALP desde 1997.
|

O uso da imagem no diagnóstico e tratamento das disfagias
Abstract
Esta apresentação revisará os avanços recentes do uso de imagens para o diagnóstico e tratamento das disfagias por meio de diversas perspectivas: advento de novas tecnologias de imagem, a utilização ainda distante do tele-diagnóstico e o impacto clínico de estudos de larga escala. Será abordada a utilização e o impacto da incorporação dos sistemas digitais de avaliação radiológica nos centros modernos de diagnóstico ou hospitais, para a avaliação e tratamento das disfagias. Será apresentada uma revisão sobre a utilização desses sistemas e também discutido o novo sistema dinâmico de ressonância magnética upright (que permite ao paciente ficar sentado em ambiente aberto) para avaliação da disfagia. Um dos problemas mais relevantes nos cuidados com a saúde é a avaliação dos problemas de deglutição nas diversas regiões do globo, incluindo as mais remotas. Será discutido o foco de pesquisa dado em alguns estudos clínicos diante da necessidade de determinar qual o método mais eficiente, efetivo e seguro para o diagnóstico e o tratamento desta alteração.
|
Li-Rong Lilly Cheng Fonoaudióloga |
China e EUA |
Formação de fonoaudiólogos no mundo |
 Li-Rong Lilly Cheng Fonoaudióloga
Li-Rong Lilly Cheng, PhD, é fonoaudióloga nascida na China e professora da School of Speech, Language and Hearing Sciences na University of San Diego, Estados Unidos. É também presidente do Multicultural Issues Board da ASHA e presidente do Education Committee of Logodepics da IALP. Foi agraciada com o prêmio de fellow da ASHA e é ex-presidente da International Affairs Association - IAA, uma organização profissional relacionada à ASHA. Autora de inúmeros livros e artigos, é conferencista internacional, dedicando-se ao estudo de estratégias para a melhoria dos programas de formação de fonoaudiólogos nas diferentes regiões do mundo.
|
 Formação de Fonoaudiólogos no Mundo Resumo
A população mundial está distribuída pelos sete continentes do globo que possuem centenas de línguas e dialetos. Algumas línguas são utilizadas por mais de um bilhão de pessoas enquanto outras são faladas por apenas algumas. Devido à migração dos indivíduos a compreensão e o atendimento às necessidades de comunicação destes indivíduos tornam-se um desafio. A população dos Estados Unidos da América atingiu 300 milhões de habitantes em novembro de 2006, tornando-se a terceira maior nação do mundo. Junto com a China e a Índia, estes três países contêm mais da metade da população mundial. Educação e serviços fonoaudiológicos para a população destas três nações diferem enormemente, sendo uma boa representação do que acontece em outras localidades. O objetivo desta apresentação é descrever o desenvolvimento da formação de fonoaudiólogos em diferentes regiões e países do mundo, em particular nas áreas subdesenvolvidas, com população desfavorecida. Exemplos das melhores práticas educacionais serão apresentados e sugestões para colaborações multicêntricas e desenvolvimento futuro serão compartilhados. Além disso, será discutida a missão do Comitê de Educação em Fonoaudiologia da IALP.
|
Maurizio Accordi
Médico |
Itália |
Avaliação clínica e tratamento em incompetência velo-faríngea |

Maurizio Accordi
Médico
Especialista em Otorrinolaringologia e Foniatria; Professor Associado de Foniatria na Universitá di Padova, Itália; membro da diretoria da Italian Association of Logopedics and Phoniatrics (SIFEL), da diretoria da Union European Phoniatricians (UEP), de 1986 a 1990; da diretoria e tesoureiro da International Association of Phonosurgery (IAP), tendo sido seu presidente de 1999 a 2000. É membro da diretoria da IALP desde 2004 e presidente do Craniofacial Committee desde 2002.
|

Avaliação clínica e tratamento da incompetência velofaríngea
Abstract
Incompetência velofaríngea refere-se à distúrbios no fechamento do esfíncter velofaríngeo durante a deglutição, sopro e/ou articulação dos sons da fala. No relatório oficial sobre incompetência velofaríngea apresentado pela SIFEL, em 1991, notificamos que de 700 pacientes submetidos a faringoplastia entre 1955 e 1990, 70% apresentavam fenda palatina prévia, com hipoplasia ou hipomobilidade de palato. Mais tarde, os casos estudados mudaram significativamente. Dos 216 pacientes submetidos a faringoplastia entre 1995 e 2002, menos de 50% apresentavam fissura palatina. Na verdade, 40% são afetados por hipoplasia ou hipomobilidade velar, com incapacidade de atingir fechamento velofaríngeo adequado. Cerca de 1/3 destes pacientes apresenta malformações sindrômicas, com déficits em nível motor, cognitivo, auditivo e lingüístico. Conseqüentemente, é necessária uma avaliação clínica mais completa, a fim de determinar os problemas do processo de reabilitação destes pacientes. Sob a perspectiva cirúrgica, a melhor estratégia de intervenção é determinada após nasoendoscopia e videofluoroscopia. Normalmente, se existe um fechamento velar mínimo, a parede posterior da faringe é cirurgicamente avançada. Se o fechamento velofaríngeo excede 4-5mm, o tipo de incompetência é determinado em primeiro lugar: se for coronal, é realizada uma faringoplastia esfinctérica; se for uma incompetência sagital ou central, ou uma paralisia velar, é feito um flap de tecido faríngeo. A avaliação do resultado depende das análises de escape aéreo e articulação do paciente. O resultado depende substancialmente da idade em que o paciente é submetido à cirurgia. O índice de sucesso de cirurgias realizadas em crianças com 7 anos é 70% (sem escape e articulação normal), com diminuição após esta idade. Nossa idade de escolha para a cirurgia é entre 4.5 e 5 anos. Qualquer outra alteração ou doença associada aparentemente tem impacto na porcentagem dos resultados. Os chamados “casos puros”, por exemplo, os casos com incompetência velofaríngea exclusiva, alcançam os melhores resultados, chegando a 80% de sucesso, já os pacientes com alterações associadas, com maior ou menor graus, alcançam bons resultados em menos de 30%. É interessante observar que alterações associadas são mais comuns em não-fissurados (65%) do que em fissurados (35%).
|
Nasser Kotby
Médico |
Egito |
História da IALP |
Método de acentuação para disfonias |

Nasser Kotby
Médico
Prof. Dr. M. Nasser Kotby, médico otorrinolaringolista e foniatra, é professor da Faculty of Medicine, Ain Shams University, da cidade do Cairo, no Egito. Recebeu várias medalhas por méritos científicos e duas nomeações especiais. Auxiliou na formação de especialistas em Foniatria e Fonoaudiologia no Egito e em 7 países do Oriente Médio. Membro de 16 sociedades profissionais, nacionais e internacionais. Presidente da Egyptian Association of Phoniatrics and Logopedics; e da Egyptian Society of History of Medicine and Medical Sciences. Cavaleiro da Realeza Suíça da ordem North Star. Publicou mais de 111 artigos na área da Otorrinolaringologia e Foniatria e é autor e co-autor de 9 livros. É ex-presidente da IALP e da IFOS.
|

Método de acentuação Smith para tratamento das disfonias
Abstract
As categorias das alterações da voz incluem basicamente a categoria orgânica e a não-orgânica. O último grupo é caracterizado pela ausência de quaisquer modificações morfológicas detectáveis na laringe apesar da queixa do paciente de mudança na voz, a chamada disfonia. Nesta situação, a escolha de uma linha de tratamento medicamentosa ou cirúrgica não é viável. A principal linha de tratamento é a Terapia de Ajuste Comportamental (TAC). Existem muitos métodos ou técnicas envolvidos na TAC, descritos por vários clínicos líderes mundiais. Estes métodos dependem do conhecimento do clínico sobre o mecanismo de modificação da função vocal e da melhor maneira de melhorá-la. O Método de Acentuação Smith é um destes métodos de TAC, de natureza holística, tanto no que diz respeito à produção da voz como na comunicação total do indivíduo. O método de acentuação inclui 2 principais elementos do TAC, chamados: aconselhamento sobre higiene vocal e correção dos desvios do comportamento vocal. A principal característica do aconselhamento de higiene vocal é o fato de constituírem em orientações simples e fáceis de serem seguidas. A correção dos desvios do comportamento vocal depende da integração dinâmica da respiração abdomino-diafragmática, melhorando as características aerodinâmicas na glote, a acentuação da vogal na fala encadeada, além da movimentação de braços e do corpo. O método é aplicado sistematicamente a partir de exercícios respiratórios, seguindo para exercícios fonatórios e articulatórios. A acentuação depende do ritmo selecionado, que vai do lento (largo) para um mais rápido (andante) e então para um mais acelerado (allegro). Um tambor pode ser usado para marcar os ritmos. Os exercícios fonatórios são administrados progressivamente e seguem os passos da execução da vogal para a fala encadeada, passando para monólogos e também diálogos. Os exercícios fonatórios devem seguir o ritmo do paciente, no domínio da técnica e na adoção de novos comportamentos vocais saudáveis. A execução clínica da aplicação do método de acentuação deve ser descrita. A duração da terapia varia de acordo o distúrbio da voz ou da fala. Critérios de término do programa de terapia serão apresentados e criticamente discutidos. As indicações do método de acentuação constituem um aspecto importante na sua apresentação e incluem pacientes com alterações de voz não-orgânicas e alguns casos selecionados de etiologia orgânica. A escolha dos casos deve ser discutida em parte do trabalho, através de um protocolo de avaliação e diagnóstico. O método de acentuação tem também uma importante aplicação em algumas alterações de fala e linguagem. Casos clínicos ilustrativos e estudos sobre a eficácia do método serão apresentados.
|
Per-Ake Lindestad
Médico |
Suécia |
Atualização em disfonias |

Per-Ake Lindestad
Médico
Lindestad qualificou-se como cirurgião otorrinolaringologista em 1984 e como foniatra em 1988. Entre 1981 e 2002 foi o chefe do Department of Logopedics and Phoniatrics no Huddinge University Hospital e atualmente é professor assistente e conferencista senior do Department of ENT, Karolinska University Hospital em Huddinge, Estocolmo, onde é associado ao programa de formação de fonoaudiólogos. Lindestad escreveu sua tese em eletromiografia laríngea nos distúrbios da voz e se interessa pela avaliação visual da laringe por diversos procedimentos. É o presidente da “Rostframjandet” (Fundação de voz sueca), ex-presidente do Comitê de Voz da IALP e atualmente, é membro da diretoria da IALP.
|

Atualização em disfonias
Abstract
Existem diversas maneiras de classificar os distúrbios vocais. A divisão mais comum é 1. Disfonias Funcionais, exemplo fadiga vocal e disfonia psicogênica; 2. Disfonias Organofuncionais, exemplo nódulo vocal e pólipo de prega vocal; e 3. Disfonias Orgânicas, exemplo laringite crônica e cisto de prega vocal. Tal modo de pensar seria ainda relevante nos dias de hoje? Qual é a visão tradicional na etiologia dos diferentes distúrbios vocais e em quais áreas houve avanço de conhecimento quando comparado ao que sabíamos 20 anos atrás? Existe evidência convincente de que o tratamento que oferecemos aos nossos pacientes é adequado? Há razões para reavaliar nossos modelos de tratamento? Basicamente, esta apresentação discutirá os problemas formulados sobre as diversas perspectivas dos distúrbios vocais e com a ressalva de fazê-lo com grande dose de subjetividade do próprio conferencista, exceto por alguns exemplos importantes de pesquisas recentes que esclareceram questões diagnósticas e terapêuticas. É papel do clínico selecionar os pacientes que realmente necessitam de tratamento, pedem para ser tratados, ou aqueles que podem se beneficiar com um atendimento. A avaliação da qualidade de vida é a ferramenta clínica mais valiosa. Serão discutidos quais as opções de equipamentos disponíveis para se obter um diagnóstico preciso, quais são os instrumentos dispensáveis e como chegar a um diagnóstico adequado, mesmo em situações limitadas.
|
Philippe Paquier Neurolinguista |
Bélgica |
Afasia adquirida na infância |
Cerebelo e Linguagem |
Phillippe Paquier
Neurolingüista
Philippe F Paquier recebeu seu PhD em Ciências Médicas na Universiteit Antwerpen, Bélgica, em 1993. É professor da Clinical Neurolinguistics na Vrije Universiteit Brussel (VUB, Bélgica) e na Université Libre de Bruxelles (ULB, Bélgica). É chefe do Department of Clinical and Cognitive Neuropsychology no Hôpital Universitaire Erasme (ULB). Seus principais interesses de pesquisa envolvem distúrbios neurogênicos da fala e linguagem.
|
Afasia Adquirida na Infância - AAI
Resumo
A característica clínica tradicional de crianças com AAI é uma comunicação não-fluente, com recuperação rápida e completa do distúrbio de linguagem, sendo que geralmente a afasia ocorre após lesão do hemisfério direito. Entretanto, desde 1970, publicações de vários estudos de casos levaram à rejeição da descrição tradicional. Esta revisão da AAI tem por objetivo fazer um inventário dos dados sintomatológicos e neurorradiológicos descritos recentemente e publicados desde 1978. Os casos mostram uma grande variedade de sintomas afásicos, incluindo alterações na compreensão auditiva, parafasias, neologismos, verborragia, uso de jargão, prejuízo nas habilidades de repetição de sílabas e palavras, além de déficits lingüísticos na leitura e escrita. Não apenas a tipologia das afasias, mas também as recentes correlações clínico-radiológicas estabelecidas parecem assemelhar-se com os achados em adultos. Além disso, a recuperação da afasia infantil parece ser mais lenta do que se pensava. Tais dados apóiam as teorias de organização da linguagem cerebral nas crianças; parece que desde a infância os dois hemisférios não são equivalentes na representação da linguagem e, portanto, prognósticos e resultados finais do tratamento das afasias adquiridas na infância não são favoráveis e uniformes.
|
Cerebelo e Linguagem
Resumo
Princípios neurológicos tradicionais postulam que o cerebelo coordena a movimentação voluntária fina e executa o controle motor do tônus, da postura e da marcha. Entretanto, estudos anatômicos, clínicos e de neuroimagem realizados nas décadas passadas mostraram que o cerebelo está envolvido em diversas funções cognitivas altas, como por exemplo, linguagem, memória, habilidades visoespaciais, funções executivas, modulação do pensamento, e regulagem emocional do comportamento. O objetivo desta apresentação é oferecer uma revisão do conhecimento recente sobre o papel do cerebelo nas funções de fala e linguagem. A função do cerebelo nos distúrbios motores da fala não é limitada à (ataxia) disartria, mas também abrange mutismo e possivelmente apraxia da fala. Distúrbios de linguagem induzidos pelo cerebelo podem consistir em agramatismo e em um fenômeno semelhante à afasia frontal (dinâmica), junto com déficits de recuperação semântica, dificuldades de compreensão sintática e redução nas tarefas de fluência verbal fonológica. Além das funções de fala e linguagem, o cerebelo parece também estar envolvido em vários aspectos da memória como, por exemplo, memória verbal de trabalho. A função do cerebelo no sistema nervoso transcende a tradicional noção de controle motor. O cerebelo está também envolvido com processos sensoriais, cognitivos e afetivos. Lesões no circuito córtico-cerebelar causam comportamentos semelhantes aos observados em pacientes com lesões nas áreas corticais que recebem conexão deste circuito. Além de gerar processos cognitivos, o cerebelo parece modular as funções cognitivas, por meio de um circuito de pró-alimentação (feedforward loop) do sistema córtico-ponto-cerebelar e por meio de um circuito de retro-alimentação (feedback loop) das vias cerebelo-tálamo-corticais.
|
Roswitha Romonath Fonoaudióloga |
Alemanha |
O conhecimento das palavras e a consciência metafonológica como fatores de predição da leitura e escrita de crianças com distúrbio específico de linguagem |
Roswita Romonath
Fonoaudióloga
Roswitha Romonath, PhD é professora de pedagogia e fonoaudiologia na University of Cologne, Alemanha. Estudou pedagogia dos distúrbios da comunicação e lingüística, tendo trabalhado no sistema escolar alemão por 10 anos. É membro do conselho científico da German Association of Dyslexia and Dyscalculia, membro do Comitê de linguagem Infantil da IALP desde 1992 e desde 2001 faz parte do corpo de diretores desta associação. O foco de suas pesquisas é a dislexia de desenvolvimento, distúrbios fonológicos e distúrbios específicos de linguagem em adolescentes.
|
O conhecimento das palavras e a consciência metafonológica como fatores de predição da leitura e escrita de crianças com distúrbio específico de linguagem Resumo
Nem todas as crianças aprendem a ler e escrever sem dificuldades, especialmente aquelas com distúrbios específicos da linguagem (DEL). De acordo com estudos alemães, 50% das crianças com DEL apresentam dislexia. A hipótese é de que o déficit na consciência metafonológica na idade pré-escolar influencia o sucesso da leitura e escrita nos primeiros anos escolares. Entretanto, ainda se sabe pouco sobre as condições o desenvolvimento metafonológico. Descobertas recentes sobre a importância do desenvolvimento do léxico na aquisição de habilidades lingüísticas refinadas, como por exemplo, o conhecimento gramatical, sugerem que mesmo o desenvolvimento das habilidades metafonológicas é influenciado pelo crescimento das representações da palavra no léxico mental. Supõe-se que o rápido aumento do vocabulário, entre as idades de um ano e meio a 3 anos, necessita de um processo permanente de reorganização fonológica na forma lexical das palavras, a fim de melhorar os processos de armazenamento e busca. Assim, é preciso substituir estratégias holísticas de armazenamento por meio de princípios de organização segmental das formas da palavra, o que favorece o desenvolvimento da consciência fonológica. A maioria das crianças com DEL apresentam tanto déficits na aquisição de vocabulário como na consciência fonológica. Não há informações disponíveis sobre a relação entre a aquisição do vocabulário, o desenvolvimento da consciência fonológica e o sucesso da leitura e escrita no final do primeiro ano escolar. Esta apresentação discutirá os resultados de um estudo com 42 crianças com DEL e 56 crianças normais, antes do ingresso na escola e ao final do primeiro ano letivo. Os resultados apontam diferenças significantes no conhecimento das palavras entre os dois grupos, especialmente na tarefa de produção de palavras. Até mesmo os aspectos de consciência fonológica e os resultados de leitura e escrita mostraram diferenças significantes. As análises estatísticas de regressão apontaram uma correlação entre vocabulário produtivo, mas não receptivo, e consciência metafonológica, para ambos os grupos. Em contraste com outros estudos, habilidades metafonológicas predizem apenas os resultados da leitura, sendo que no grupo controle elas foram preditoras de variância para ambos os processos, leitura e escrita. Acredita-se que crianças com DEL utilizem diferentes estratégias na escrita devido a uma consciência fonológica subdesenvolvida.
|
Tadeus Nawka
Médico |
Alemanha |
Classificação de parâmetros vocais clínicos |

Tadeus Nawka
Médico
Estudou Medicina no Humboldt-University em Berlim, Alemanha. É Professor Associado, Chefe do Department of Phoniatrics and Paedaudiology na University of Greifswald. Seus principais interesses são: diagnóstico e tratamento dos distúrbios da voz, articulação, fala e deglutição; perda auditiva em crianças, triagem auditiva universal em recém-nascidos, e fonocirurgia.
|

Classificação de parâmetros vocais clínicos Abstract
As descrições multiparamétricas da função vocal são consideradas superiores por oferecerem um melhor entendimento do desempenho vocal, quando comparadas às descrições de habilidades vocais parciais. Esta conferência mostrará a importância da quantificação da avaliação perceptivo-auditiva da voz e as medidas objetivas de gradação da voz de acordo com o Índice de Severidade da Disfonia - ISD e com a classificação do Índice de Desvantagem Vocal – IDV (VHI), em sua versão resumida. A avaliação perceptivo-auditiva da disfonia pode ser realizada com uma escala ordinal de 4 pontos (ausente, discreta, moderada e intensa) ou com uma escala visual analógica, sendo que os resultados de uma escala podem ser transferidos à forma da outra. Os dados para este procedimento de avaliação são baseados nos índices das vozes com diferentes graus de alteração, antes e depois da terapia, por estudos multicêntricos. A aquisição das medidas objetivas é variável e como não há equipamento de padronização, um esforço deve ser feito para unificar os procedimentos de diagnósticos vocais ou caracterizar um espectro de dados objetivos, como foi feito nos centros de diagnóstico envolvidos. Uma auto-avaliação subjetiva do uso da voz pode ser quantificada pelo IDV. Pela análise dos fatores, a versão original do IDV foi reduzida para 12 itens (IDV-12), sendo as categorias de desvantagens divididas em 4 grupos. Isto significa que diferentes aspectos da descrição vocal podem ser resumidos e uma estimativa composta da voz pode ser realizada.
|
Tanya Gallagher Fonoaudióloga |
EUA |
Distúrbios de linguagem infantil e a Classificação Internacional de Funcionalidades, Incapacidades e Saúde - CIF |
Tanya Gallagher Fonoaudióloga
Dra. Tanya M. Gallagher é professora de fonoaudiologia e reitora do College of Applied Health Sciences at University of Illinois, Estados Unidos. Tem publicado extensivamente sobre o desenvolvimento da linguagem pragmática infantil e seus distúrbios e a relação entre as habilidades de linguagem e distúrbios de comportamento em crianças. Recebeu vários prêmios, incluindo o Honors of the American Speech-Language-Hearing Association (ASHA).
|
Distúrbios de linguagem infantil e a Classificação Internacional de Funcionalidades, Incapacidades e Saúde - CIF Resumo
Em 2001, a Organização Mundial da Saúde publicou a Classificação Internacional de Funcionalidades, Incapacidades e Saúde (CIF) como um sistema unificado e abrangente, que proporciona uma terminologia padrão na descrição da funcionalidade, incapacidade e saúde humana. O CIF inclui a classificação de funções e estruturas do corpo, atividades e participação. Também oferece códigos de classificação para descrição contextual de fatores ambientais, como sistemas de suporte social, crenças culturais, e fatores pessoais como personalidade, idade, nível educacional e estratégias de enfrentamento. A apresentação descreverá tal sistema e sua aplicação nos distúrbios de linguagem infantil com os seguintes objetivos: como um meio de compreender os aspectos biopsicossociais relevantes ao desenvolvimento de uma criança e as interações entre estes aspectos no planejamento terapêutico; para documentar sistematicamente a incidência, prevalência e impacto social deste distúrbio sub-diagnosticado; para facilitar as pesquisas de prática baseada em evidência na avaliação e tratamento da linguagem infantil, propiciando uma linguagem comum na clínica e na pesquisa; para coletar e compartilhar informações em um mesmo país e entre diversos centros internacionais com implicações na política social; além de promover a educação do clínico e de outros. Considerações sobre este sistema serão discutidas, incluindo aquelas que levaram ao desenvolvimento da recente versão CIF-Infância e Juventude. Serão apresentados exemplos clínicos do uso do CIF em crianças com distúrbios de linguagem e comportamento.
|
As apresentações dos convidados estrangeiros serão debatidas por destacados profissionais brasileiros.
|
|